A sensação de não sentir mais e ter uma inundação dentro de ti como se cada pessoa do vilarejo da minha mente fosse um sentimento e todas elas fossem afogadas pela força da água. E aos poucos começa a sair pelos meus poros até não sobrar mais nada. O vazio universal que percorre pelo ar que passeia rasgando minha pele já não afeta mais e nem causa mais dor ou inchaço em qualquer parte do corpo. O desânimo que vive no teu quarto te impossibilita de qualquer forma de haver esperança-e-ou expectativa pra algo de positivo acontecer. Parece até que os pontos positivos fugiram de ti, com medo de se machucarem. Deixaram tu, só, sem ninguém pra pedir ajuda. Mas, mesmo com tal ajuda suplicada, ninguém viria. Ninguém veio.
Acordo na minha cama ainda inconsciente da porrada mental que a minha cabeça tomou no último sábado. Encostar no teu ombro e sentir um frio doloroso a ponto de congelar minhas veias e nunca saber se poderá ou não ir até meu peito. E congela a última gota de sentimento que eu tenho (tinha). Nunca tive. Teu olhar abriga um universo de rosa e espinho sem saber o-que-é-o-que-ou-o-que-poderia-ser-o-que-era-ou-era-o-que-já-foi-ou o que nunca vai ser. Nunca tive mesmo. Rosa e espinho, nunca tive. Nem você, que nem sonha nisso. E nem dá pra sonhar, já que não existe. Te imagino caindo de todos os penhascos, vendo seu corpo se despedaçar em dez partes, a cada vez imaginada. Teu sangue jorrado pelo chão e meu desespero pós-sua-queda de tentar jogar fora todos os problemas que tu traz em mim e te tornar algo além do perfeito. O que é perfeito? É alguém que tu idealize e não consiga ver de verdade quem é por-estar-completamente-doente-e-ou-alucinado-pela-pessoa? Ou... Ninguém.
O ouvido dói com tanta distorção que vive dentro dele. Tanta, mas tanta, que engarrafa o trânsito que se hospeda por lá, impedindo de fazer com que tu escute as vozes dela de novo. Impedindo com que tu sofra novamente como nunca jamais sofreu. Distorção que tu ouve desde que nasceu e não pode fazer nada pra impedir ela ecoando tua pele, peito, coração. Completamente perdido no show da tua banda preferida por ter encontrado aquele olhar que te deixa ébrio no mesmo instante e que faz tu cometer todos os tipos de "crimes amorosos" que tu poderia cometer. Já não basta o fato do nunca e ainda ter que aturar tal estupidez vinda de um mero humano tolo.
E seu ouvido explode. Junto com teu peito. Junto com teus braços. Junto com tuas pernas. Tu observa teu cérebro indo pro longe e não consegue fazer mais nada por-conta-de-tu-não-conseguir-mais-pensar-e-ser-só-apenas-um-vegetal-esperando-algo-acontecer. No caso, o algo seria o Nada. O vazio. o inexistente. O vácuo. O universo. O algo é teu universo, maior que esse universo que dizem que é infinito.
Oh, no, your heart is broken.
Elope
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Is bliss
Já passou muito tempo desde que eu não toco num caderno
ou num teclado pra escrever. Esse é o meu primeiro texto do ano. Passou-se
tanto tempo que acho que perdi a técnica. (isso se eu tivesse técnica de
escrita). Pensava eu mesmo que não ia escrever mais. Ele se acordou com a sensação de que não conseguiria mais compor uma
canção. Mas a vida continua na mesmo. Monotonia e solitude intensa.
Lembranças minhas vagam em bolhas de sabão. Lembranças
que eu nunca mais. Deito na cama e vejo o tempo passar. Não acho solução pra
isso melhorar, então o melhor a fazer é fazer isso da minha rotina. Se acomoda
aqui no meu sofá, solidão. Vem dançar comigo. Vamos fazer um salão-de-festas pros nossos convidados. Como vai?
Os dias são os mesmos. Acorda com preguiça de viver,
vai tomar um copo d’água, liga o computador e enquanto isso volta a deitar.
Espanca o violão com muitos dós, rés, mi e fás. Vai ver a Colombina, beija a
Colombina, abraça a Colombina, dá amor a Colombina. Faz amor com a Colombina.
Expulsa a Colombina de casa. Volta a dormir. E chora no seu belíssimo faz de
conta.
Não
deu em nada.
(2012)
domingo, 29 de junho de 2014
Evaporou
Estávamos eu e tu no parque, brincando com o mundo que um dia eu te
dei. "Não te darei flores, não te darei presentes" dizia eu
antigamente para ti. Hoje, sou vencido pelo teu sorriso mais uma vez. Aquela
cena entre eu e tu no parque me lembrava alguma película de Woody Allen. Isso
não vem ao caso. Os velhinhos passando me lembravam a nouvelle vague de Godard.
Também não vem ao caso. A única coisa que me importava naquele momento era tu e
eu. Nós dois. "Um só" ser. O Universo bailava quando começávamos a
rodar. O mundo desaparecia, a Terra se tornava um vácuo sem fim. E de lá,
surgia o nosso mundo. Nossa vida. Nossa paz. Nosso conforto. De pouco em pouco,
as pessoas do parque tornavam-se pequenos grãos verdes. Teu cabelo ia se
afastando das minhas pernas. Tua mão se soltava da minha. Teu sorriso
desaparecia para sempre. Teu olhar se distanciava da minha visão. Teus
pensamentos não batiam mais com os meus. Teus pés não tocavam mais os solos em
que um dia eu pisei. O nosso mundo ia se tornando cinzas. As lembranças se
tornavam coisas do passado. O passado já não existia mais para mim. O teu rosto
se tornava pó sobre a minha pele. Tua voz se tornava assombros ao anoitecer.
Cada pingo de água que batia na minha janela era um momento que eu passei
contigo. Cada lágrima que saia dos meus olhos eram as lembranças que um dia eu
guardava para mim. Evaporou.
(2012)
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